sábado, 11 de fevereiro de 2012

Volvo C30 R-Design vai para pista e surpreende



Carsale - Anda procurando algo divertido e com visual exclusivo na faixa dos R$ 140 mil ? Uma das opções no mercado é o Volvo C30 R-Design (R$ 139.990), difícil de ser encontrado nas ruas e com a nova geração marcada para chegar até 2014. Mas quem se importa, principalmente depois de quebrar o gelo da frieza sueca testando os 230 cavalos do motor turbo? A receita nórdica não inclui câmbio seqüencial com dupla embreagem nem tração dianteira, o que acaba sendo um pouco indigesto se você estiver com muito apetite. Mesmo assim, pelo menos no Brasil, não há nada mais saboroso pelo mesmo preço. Um Audi S3 (256 cv) não sai por menos de R$ 208.700, a BMW não traz mais o saudoso 130i e a Mercedes-Benz vende apenas o mais comportado C180 Coupé (156 cv) a partir de R$ 126.500, valor que sobe para R$ 133.500 com GPS integrado ao painel.

O visual do C30 não muda desde 2010, mas com o pacote esportivo R-Design o carro fica com aspecto mais interessante. Rodas Midir aro 18 polegadas de diâmetro, defletor de ar na capota, apêndices aerodinâmicos e o logotipo “R-Design” na grade dianteira fazem parte das diferenças na comparação com as outras versões. O que também anima é o interior com bancos revestidos de couro de dois tons, os mostradores com fundo azul (sim, igual aos carros da Maserati) e volante enfeitado com costuras feitas à mão e couro perfurado. Além disso, o console central tem acabamento que lembra as guitarras suecas Hägstrom, que ganharam fama nas mãos de Elvis Presley na década de 1950.





Bom também é que a lista de equipamentos de série inclui Controle Dinâmico de Estabilidade e Tração (DSTC), freios ABS, sistema de proteção contra lesões na coluna cervical (WHIPS), airbags para motorista e passageiro, laterais e do tipo cortina, além de cintos de segurança com pré-tensores. E não para por aí. O carro também conta com controle remoto com alarme e travamento central, faróis direcionais com lâmpadas de xenônio, sistema de fixação ISOFIX e vidros elétricos com anti-esmagamento, entre outros equipamentos. Como todo esportivo com ares de cupê, a visibilidade traseira não é das melhores e há pouco espaço, tanto no banco traseiro quanto no porta-malas, cuja tampa de vidro tem aspecto retrô.

Ok, o motor de cinco cilindros, turbinado, rende 230 cavalos, mas é bom ir devagar com o andor. Nada de pisar fundo logo na saída. A relação peso-potência de apenas 5,9 kg/cv não combina com a tração apenas no eixo dianteiro. Mesmo com os pneus 215/40R 18, com boa área de contato, fica difícil evitar que as rodas girem em falso, desperdiçando força. O melhor jeito é deixar o carro deslanchar um pouco para depois acelerar com mais vontade. É quando aparece um ronco grave e encorpado que chega a mexer com o ego e os neurônios. Quando a paisagem do lado de fora das janelas começa a se transformar em um borrão. Segundo as medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o C30 R-Design acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, tempo um pouco acima dos 6,6 segundos do pequeno Mini JCW e melhor que os 7,9 do extinto Golf GTi de 192 cavalos. Problema é que, com tanta força nas rodas da frente, a direção começa a passarinhar, o que atrapalha na hora de manter o carro sob controle.




Para um esportivo de primeira linha também falta um câmbio mais ágil que o Geartronic de cinco marchas. Há opção de trocas seqüenciais, mas apenas pela alavanca no console central. O volante tem bom acabamento, mas deveria  ser menor pela proposta do carro. Além disso, a direção poderia ser um pouco mais comunicativa. A boa notícia é que se lembraram de preparar a suspensão, mais rígida e com distância livre do solo 10 milímetros mais baixa que a das demais versões do C30, o que ajuda a manter o carro estável nas curvas. O efeito colateral é o desconforto em piso irregular, em forma de solavancos que doem até na alma, além do risco de danificar as rodas e os pneus de perfil baixo. Bom é que tudo isso acaba sendo compensado pelas respostas sempre ágeis desde as primeiras marcações do contagiros. De acordo com o IMT, o hatch sueco vai de 60 a 120 km/h em apenas 6,3 segundos, superando os 6,7 do mais  leve Mini Cooper S e ficando com o segundo lugar no ranking do Carsale, perdendo apenas para os 5,6 s do supercarro Audi R8.

Ainda quando o assunto é desempenho, vale a pena lembrar de outros feitos do R-Design na pista de testes. O carro conseguiu sair da imobilidade e percorrer o primeiro quilômetro em meros 27,5 segundos, com o velocímetro marcando 194,1 km/h e de cravar 15,2 segundos na arrancada dos 400 metros. Sem dúvida, números de respeito. Mas é preciso ter cautela na hora de frear. Segundo as medições do IMT, vindo a 80 km/h e pisando com força no pedal, o Volvo precisou de longos 37,5 metros até parar completamente. Uma boa marca ficaria por volta dos 30 metros. Mesmo com ABS e discos ventilados, pelo menos nos testes,  o carro poderia ter ido melhor. No dia a dia, porém, sem exigir demais dos freios, o C30 R-Design transmitiu segurança. E consumo mediano. Conforme o IMT, fez 7,7 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada.




Veredicto

Para quem busca por um esportivo raro de se ver nas ruas, com bom desempenho e preço razoável na comparação com os concorrentes, o Volvo é uma boa opção. Não tem o refinamento da engenharia alemã (câmbio com dupla embreagem, motor com injeção direta, tração traseira ou integral), mas acaba empolgando. O que pode desanimar é o índice de desvalorização na hora da revenda. E saber que uma nova geração vai ser lançada nos próximos dois anos, mais leve e com uma nova plataforma no lugar da atual, a mesma do Ford Focus, produzida na Bélgica.





Volvo C30 R-Design
Posição de Dirigir
Acabamento
Segurança
Estilo
Consumo
Custo/Beneficio
Itens de série
Espaço Interno
Desempenho
Ergonomia
Conjunto mecânico
Conforto
Avaliação Carsale3,83


Fonte:http://carsale.uol.com.br/Novosite/revista/avaliacao/materia.asp?idnoticia=8825

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